sexta-feira, 18 de março de 2016

Guiana - Um país desconhecido pelos brasileiros e pelo mundo.

Guiana... Com certo atraso mas, com bastante entusiasmo, relatararei um pouco sobre esta interessante viagem que realizei. 

Obs: entrarei com váaarios detalhes da viagem, pois muita gente queria ter muitas informações da Guiana. Então, se tiver meio chato para uns, para outros que querem saber mais deste país, será útil. 

A Guiana, que é a antiga Guiana Inglesa é um país relativamente pequeno (na América do Sul, maior apenas que Suriname e Uruguai) que se divide em parte no Caribe e parte na Amazônia. 

Este paqueno país, ao norte da América do Sul, faz divisa com Brasil, Venezuela e Suriname. Foi colonizado inicialmente pelos holandeseses e depois cedida à Inglaterra em 1831 e assim prosseguiu até 1966, onde teve sua independência.

A Guiana é o único país da América do Sul que fala inglês como língua oficial, mas é adotado pela maioria da população o criolo, mistura do inglês com línguas nativas. Possui uma população com cerca de 1 milhão de habitantes e sua capital é Georgetown, na área litorânea do país.

Mapa da Guiana com atrações diversas

Enfim... Falarei um pouco da minha viagem pra lá.

Em setembro de 2015, eu e um grande amigo, Roberto, também da Geografia, saímos de Manaus/Amazonas rumo à Guiana.

Eu e meu amigo Roberto em terras guianesas.

De malas no hotel.

Pegamos um ônibus na rodoviária de Manaus, rumo à Boa Vista (R$75 à época, hoje R$140!) e de Boa Vista - Bonfim (R$33 comprando junto ida e volta) - Lethem (R$20,00 de taxi, por pessoa).
[Trajeto: Manaus - Boa Vista - Bonfim - Lethem]

Saímos de Manaus com poucas informações sobre a Guiana. Por um lado pela dificuldade de encontrar informações relativas à Guiana e, por outro lado, para instigar o espírito aventureiro nosso, de chegar num lugar desconhecido e descobrir tudo por lá mesmo. 

Chegando no Taxi, má notícia, meu amigo que estava apenas com a identidade, foi informado que não poderia passar pelo setor de imigração (localizado na fronteira dos dois países) e que, caso quisesse mesmo entrar na Guiana, deveria ficar quieto no taxi. Enquanto isso, eu fui com mais uma garota que estava no Taxi para apresentar os nossos passaportes e o cartão de vacinação internacional. 

Mão inglesa no trânsito na Guiana

Passado pelo setor de imigração da fronteira, e logo depois, deveríamos ir, já em Lethem, para carimbarem o visto em nosso passaporte. 
Nesta hora comecei a me sentir num país bem diferente. Não estava preparado para uma entrevista... O senhor que me atendeu, perguntou o que eu estava indo fazer lá, onde ia ficar, porque eu tinha interesse em ir à Guiana. Respondi o que veio na cabeça, que era pesquisador de meio ambiente com foco na Amazônia e iria ficar por 15 dias em Georgetown no Hostel BBC, que era perto da Universidade de Berbice. Decerto que eu não sabia o que eu estava falando, mas fui tão convincente que inventei até nome de rua. hahaha. A entrevista foi toda em inglês e não parecem ter serviço de tradutores para outras línguas. Resultado, consegui 3 meses de visto!
Obs: neste momento eu deixei minhas malas no taxi enquanto eles me aguardavam passar pela imigração. Então eles não revistaram minha mala, como fizeram com as outras pessoas... E nem me perguntaram sobre... A impressão que tive é que os taxistas têm acordos com o pessoal da imigração, pois meu amigo ficou no taxi e entrou tranquilamente na Guiana.


Imigração para entrada na Guiana
Pois bem... Lethem faz fronteira com o Brasil e já de cara no taxi percebi a diversidade que se encontra nesta região. O taxista, Nelson, era negro e falava inglês e português. Um amigo dele que também estava no taxi e tinha aparência de indiano (muito comum na Guiana). Na rádio, tocava algumas músicas em inglês e outras em português... O meu primeiro diálogo em terras guianeses já foi interessante.
[Estava tocando Paula Fernandes no carro]

Eu: - Olha que interessante, aqui na Guiana vocês escutam Paula Fernandes. Ela é brasileira, vocês sabiam?
Taxista (Nelson):  Ela canta bem, gosto da voz dela.
Amigo do Taxista: Não me importo com música, só me importo em ganhar dinheiro.
...
Após este diálogo, conversamos com eles sobre uma possível ida à Georgetown. Tínhamos duas opções, ou ir de avião (cerca de R$500 reais pra cada a ida) ou de van (R$220 para cada a ida). Ótimo, pensamos. Mas aí um problema apareceu. Sem o passaporte e o visto, meu amigo não poderia ir, pois ou ele seria barrado na barreira ou deveria pagar R$2000 reais para ir e pagar os policiais que aparecerem no meio do caminho. Acabamos não topando e ficamos apenas em Lethem e em pequenos vilarejos na região. 

Ótimo, após o primeiro choque cultural, pedi ao Nelson que nos levasse a um hotel barato em Lethem. Mal eu e Roberto poderíamos esperar o que estava por vir.

Fizemos o câmbio do dinheiro com o taxista (1 real = 55 dólares guianeses) e depois chegamos ao Hotel (Adventure Guianas)... No início, parecia um hotel simples comum. Mas não era... Ao chegar no hotel, um calor típico de setembro das áreas tropicais. Já fomos logo tomar uma Banks (cerveja regional caribenha - MUITO BOA!)...

Fomos negociar o preço com o dono do Hotel. Pois bem, a imagem que tivemos foi típica de filme. Um cara com seus 40 anos, com aparêcia indiana,  bem grosseiro e bigodudo nos atendeu. Ao seu lado, uma mulher estava o abanando! Ele, cheio de colares, pulseiras e anéis de metais preciosos, e ela, com roupa estilo indiana, ia e buscava bebida pra ele... 
Até aí, ok. Ele tinha um sotaque muito estranho mas dava para entender. Entramos no quarto, deixamos as malas e fomos almoçar... (num restaurante brasileiro, comum por lá)


Na volta ao hotel, mais uma surpresa. Tinha um cachorro debaixo da minha cama. Sim, um cão bem sujo estava quieto e com medo debaixo da minha cama.. E detalhe, ele não estava lá quando chegamos no primeiro momento... Conferimos nossos pertences e não haviam roubado nada... E por lá passamos algumas coisas, num quarto bem "rústico" 

Placa do Hotel.
Cachorro debaixo da cama.
                                     
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Sobre Lethem: Não é uma cidade com grandes atrativos... Fica na Região 2 da Guiana que é Alto Takutu–Alto Essequibo, município com pouco mais de 10 mil habitantes... 

Num sábado a noite queríamos sair para tomar uma cerveja. Chegamos lá, música animada, mas bar vazio. Fui conversar com dois caras do bar e perguntar o que tinha pela cidade, que me respondeu que tinha um "club" e que seria interessante irmos, e nos disse para ir de taxi... Como bom estudante, pedimos carona deles e, após alguns minutos, chegou uma caminhonete com cerca de 10 rapazes em sua carroceria. Subimos e seguimos adiante. Era um pessoal do exército, foram simpáticos mas não conversavam muito conosco. Entramos no quartel deles, eles se arrumaram e fomos para a balada.

Bebendo uma Banks gelada

A balada em Lethem, na boate local, é bem divertida. Aquelas músicas estilo caribenhas, em som bem alto. A cerveja banks custava 360 dólares guianeses. Uns três soldados nos pediam cerveja às vezes, mas nada intimidador e deu pra ter algum contato com eles. A balada lá é bem animada. Voltamos de taxi num valor de 1200 dólares guianeses. 



Roberto, eu e nossos colegas que conhecemos em Lethem

Lethem é uma cidade que possui muitos guianeses negros, "indianos" e ameríndios. Fomos à vila de Stignatius, de predominância "indiana'' e ameríndia. Passamos por uma escola e os alunos e alunas de lá foram bem simpáticos, todos nos davam um sorriso e um boa tarde. 

Informações turísticas locais

Vila de Stinatius
A culinária de lá tinha algumas coisas regionais como peixes, banana em vários tipos e talz. Mas não quis nada disso e optava por pizza e coisas menos regionais. 
Percebi uma coisa com relação ao câmbio. Na hora de pagar a pizza, o valor cobrado para uma pizza grande e um refrigerante foi de 4000 dólares guianeses (+- 80 reais), mas se a gente pagasse em real, era só cortar dois zeros... E pagamos 40 reais. E foi assim em vários lugares, ao menos onde aceitava real, como na sorveteria e algumas lojas.

Frescolita, de Venezuela, vende bem na Guiana

Um biscoitinho regional bem gostoso.

A cidade não é muito arborizada, o chão é de terra e tem muita poeira. Não vimos praças ou lugares muito convidativos. Entramos num parque que não tinha ninguém, apenas uma parte de árvores e a entrada para um rio, que também não era dos mais agradáveis pra se nadar...

Roberto ainda animou nadar no Rupunumi River

Verde do parque de Lethem

Ruas por Lethem

Lethem, como grande parte de cidades fronteiriças, vive muito de comércio, lojas com produtos falsificados e/ou importados vendidos a preços razoáveis. 

Distância de Lethem a Georgetown, Boa Vista e Manaus.

Famoso Leão de Lethem numa loja local
Bom, o que posso dizer é que conheci muito pouco da Guiana, mas deu para sentir um pouco do clima e da tranquilidade das pessoas de lá, simpáticas e gentis. Convido a todos e todas que leram o post para um dia, irem também à Guiana. É um país muito rico, de cachoeiras, de etnias indígenas, com uma diversidade cultural muito grande, mas ainda muito preconceito para avançarem cada vez mais. E detalhes bem amazônicos... 

Pela longa estrada da vidaaa..
Vitória Regia ao longo do rio.
No meio da rua alguns destes bichos
Quaisquer dúvidas, sintam-se a vontade para fazê-las! 

Um povo, uma nação, um destino. 

quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

Obrigado, Manaus. Obrigado, Amazonas.



Depois de cinco meses morando em Manaus, capital do Estado do Amazonas, o que mais posso dizer é: "Obrigado"... 
Aos manauaras, aos demais amazonenses e a todos/as de outras regiões que por lá moram e que me tiveram por perto neste processo.

- Obrigado pela receptividade tão grande na cidade.

Amigos no dia da feijoada vegana para moradores de rua. 
- Obrigado por me ajudarem todas as vezes em que eu ficava perdido na UFAM.

Entrada da UFAM - Maior Universidade do Brasil
- Obrigado por terem uma cidade com tantas coisas legais pra fazer.

Festa na cidade de Manaus.
- Obrigado por SEMPRE pararem o carro na faixa de pedestre na hora de atravessar a rua.

Faixa de pedestre de Manaus.

- Obrigado pela tapioca de castanha com queijo e tucumã.
- Obrigado pela disponibilidade de tantas frutas, legumes e verduras tão gostosas!

Carambola :D
Melão e abacaxi regionais - MUITO BONS e doces! 

- Obrigado por me chamarem para tantos passeios legais.

Ponta Negra. Belíssimo. 
- Obrigado por me permitirem nadar nas BELÍSSIMAS PRAIAS do Rio Negro.

Linda praia em Nova Airão.
- Obrigado pelas noites dançantes no La Finca, do Rock do Porão, pelo samba do Caldeira e
por suportarem minha voz no The Voice e outros videokês do Japiim.

Nota 100 no The Voice.
La Finca! Músicas latinas muito animadas! 
- Obrigado pelo reveillon na Comunidade do Livramento com vista direta dos fogos da Ponta Negra.

"Escondidinho" no Livramento (RDS do Tupé)
- Obrigado pelos shows de rock de garagem no Coroado, no Bar do Braga e em outros pontos da cidade. E pelos vários sambas também...

o Sambista Paulo Onça se apresentando em bar em Manaus.
- Obrigado pelas atividades culturais no Teatro Amazonas, no Largo de São Francisco (tacacá na bossa :D)

Teatro Amazonas
- Obrigado pelos belos passeios de barco e lancha nos rios amazônicos.

Passeio pelos rios amazônicos

- Obrigado pelas lindas paisagens e pela tão conservada floresta.

Floresta em meio ao Rio Negro
- Obrigado pela INFINIDADE de eventos interessantes na UFAM e pela cidade. 

Evento de Rua no Largo de São Francisco
- Obrigado por receberem bem os haitianos, colombianos, venezuelanos e outros povos neste Estado.

- Obrigado aos meus excelentes professores e meus queridos colegas de faculdade da UFAM.

Colegas da Geografia - UFAM
- Obrigado por permitirem que eu veja jacaré, cotia, esquilos, macacos, tamanduá, tucano e insetos gigantes com certa facilidade.

Formiga na UFAM

Pequeno inseto no MUSA
- Obrigado pelos meus entes queridos que me receberam tão bem.

Sônia, Tia Zizi e Fábio. 
- Obrigado pelos vegnicks nos parques de Manaus.

Parques dos Bilhares
- Obrigado pelas boas cervejas na Cachaçaria do Dedé, Manauara, Praça do Caranguejo, Favela, Jack'n blues, do Boliche,..
Balde de cerveja no Boteco - Manauara
- Obrigado pela oportunidade de ter me oferecido grandes e inesquecíveis amigos. Em especial o Roberto, que me acompanhou e tanto me ajudou nesta jornada.

Nas andanças em Manaus...
Eu e Roberto em rolê na Ponta Negra

Enfim, com certeza teria muito mais a agradecer. Mas fico por aqui.
Me aguardem, quando der apareço ai para rever vocês e nossa querida Amazonas.

Pôr do Sol na Ilha de São Vicente, Manaus.

domingo, 3 de janeiro de 2016

Comunidade do Livramento - Amazonas

Foi ainda no dia 30 de dezembro, que recebi o convite de uma amiga (Yanka) para passar o Reveillon de 2015/2016 em uma comunidade próxima de Manaus. O nome é Nossa Senhora do Livramento, que nela funciona (teoricamente) uma RDS - Reserva de Desenvolvimento Sustentável. E esta mesma comunidade, abriga centenas de famílias indígenas, de diversas etnias. 

Vista da Marina do David. 
Barco utilizado para chegar da Marina até o Livramento
RDS do Tupé. 
Marcamos o encontro na Marina do David, na Ponta Negra, que é de onde sai o barco pra chegar na comunidade. Passagem comprada (R$7,00 ida e o mesmo valor para a volta) e pela manhã estávamos prontos para embarcar. Chegando lá, a surpresa com um novo local. Hora de conhecer o espaço onde estava andando e após a ronda, nos repousamos em uma casa de uma amiga e fomos aproveitar o dia no Rio Negro.

Praia para um belo banho no Rio Negro.

Caminho da praia...
Banho de muito proveito, mas em menos de 24hs, três colegas tiveram seus pés atacados por piranhas. Nada muito grave, mas assustou um pouco o pessoal lá.

Da casa onde estávamos, conseguíamos ver o festival de fogos da Ponta Negra, em Manaus. Cerca de 10 minuto que nos animaram. Decidimos ficar em casa pois a turma estava bem animada...

No dia seguinte... Ideal para conhecer uma das malocas indígenas... Esta, inclusive, leva o nome de um memorável indígena, o Pajé Gabriel Gentili. Tivemos a honra de conhecer esta maloca com a ilustre presença da Dona Maria, índia do povo Baré, que mora há algumas décadas na comunidade, mas veio de São Gabriel da Cachoeira/AM.

Início da caminhada pra maloca.

Eu na companhia de Dona Maria, do povo Baré. 

Uma justa homenagem...
A mesma Dona Maria, levou nossa turma para conhecer o "Escondidinho". Que é uma das áreas da Comunidade do Livramento, que após 2 km de trilha ecológica, surge uma bela praia do Rio Negro, com um visual simplesmente magnífico. E esta parte do Rio que separa a parte acessível da comunidade do Livramento à uma aldeia indígena. Nos informaram que o acesso lá era só para moradores da região e que não queriam saber de homens brancos por lá. (ainda bem).

Na seca, areia. Na cheia, rio. 

Famoso "escondidinho'' do Livramento. Praia do Rio Negro. 

Momento exato onde demarca até onde os visitantes podem ir. Depois da placa, é uma reserva indigena. 


Enfim. Esta foi a viagem à Comunidade do Livramento. Não deixem de conhecê-la, caso venham para a Amazônia. Qualquer dúvida basta perguntar. 

Sou, sou, sou canoeiro. Despedida da Comunidade do Livramento.